18 de dezembro de 2016

As transformações do conceito de gula - por Raquel Queiroz


Hello, meus amores!! <3



Hoje teremos o nosso segundo texto da Psicóloga Raquel Queiroz aqui no Blog, que vai nos escrever semanalmente, com os temas mais solicitados por vocês, seja por email ou enquete que possamos abrir. O tema de hoje é sobre as transformações do conceito da gula.

Por Raquel Queiroz:
Ao longo do tempo, a gula – desejo insaciável de querer mais e mais – foi vista sob diversas perspectivas. Na antiguidade, por exemplo, não havia a noção judaica cristã de culpa, havia apenas a condenação desse comportamento em excesso, uma vez que ele poderia levar o sujeito a cometer outros pecados: como beber exageradamente (FERNANDES, 2013). Assim, com o intermédio da Igreja Católica medieval, o termo “gourmandise”, passou a ser visto como um vício terrível, tornando-o um dos setes pecados capitais (SILVA, 2015).
O século XIII é marcado pela busca de uma alimentação comedida, ou seja, pela moderação e pelos bons hábitos à mesa. Portanto, a gula já não era vista apenas como um pecado. Nesse período, era necessário ensinar os sujeitos a se comportarem durante as refeições, exercendo a gula de forma “honesta”.
Com o passar do tempo, tal termo foi adquirindo novos significados, chegando a ser aprovado socialmente – quando praticada corretamente (SILVA, 2015). Essa nova relação entre o sujeito e a comida é vista como algo positivo, uma vez que era necessário ensinar os sujeitos a se controlar diante dos alimentos. Surge aí ogourmet”: “um indivíduo marcado pela boa educação e excelentes costumes à mesa. Aquele que sabia apreciar com moderação os alimentos e as bebidas” (SILVA, 2015, p. 1037).
A ideia sobre a relação do sujeito com a comida começa a mudar no pós-guerra: se antes a obesidade era vista como abundância, fartura de comida; agora vemos como característica de uma pessoa desleixada. Se antes a igreja condenava o excesso, agora a sociedade condena a gordura (FERNANDES, 2013). Esses novos padrões corporais deveriam ser retirados da sociedade através do discurso médico, que deveria evitar esse problema de saúde pública, ou seja, a gula e os sujeitos obesos.
Quellier, autor do livro ‘Gula: história de um pecado capital’ (2011), salienta que a gula passou a ser vista como um “mal” social, uma vez que o sujeito transgrediu o modelo imposto pela sociedade: ser magro.  Nesse sentido, a obesidade se tornava uma patologia, uma forma de exclusão social relacionada à falta de educação, “e não mais um critério de boa saúde econômica e social, entrando de vez nas preocupações relativas à Saúde Coletiva” (SILVA, 2015, p.1039).

Referências
Fernandes, L. E. O. A gula: entre vícios e virtudes, CPFL. 2013
SILVA, Marcelo Moraes e. O pecado da gula. Physis,  Rio de Janeiro ,  v. 25, n. 3, p. 1033-1039,  Sept.  2015

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Raquel de Queiroz é psicóloga e mestre em Psicopatologia Fundamental e Psicanálise pela Universidade Católica de Pernambuco. 
Atende em Boa Viagem. Fone: 81. 99699-2188


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