22 de março de 2017

O sofrimento psíquico e as soluções imediatas por Raquel de Queiroz


Hello, pessoal!!
O texto de hoje vai falar um pouco sobre o sofrimento psíquico e as suas soluções imediatas, pela visão de um profissional. Espero que gostem!!

por Raquel de Queiroz:
Vivemos hoje sob o imperativo das exigências da saúde, felicidade e do consumo a qualquer custo – e isto tem repercutido nos tratamentos relativos aos diferentes sofrimentos psíquicos.
A quantidade de meios disponíveis no mercado retrata a demanda da sociedade atual, que busca soluções imediatas e a qualquer custo para o seu sofrimento. Nesse sentido, em muitos contextos, observa-se um uso abusivo de psicofármacos, que vai na contramão daquilo que o sujeito demanda para a sua qualidade de vida.
Debates contemporâneos têm evidenciado que mudanças sociais trazem no seu bojo consequências psíquicas, e elas têm sido confundidas com adoecimentos. Dentre essas mudanças, observa-se também o crescimento do uso e da prescrição de medicamentos.
A partir de 1952, os psicotrópicos deixam de ser visto como um meio para o alívio do sofrimento e passam a ser utilizados como uma forma de eliminar rapidamente os sintomas. Contudo, além de não curar o sujeito, o uso indiscriminado produz um ser desprovido de desejo, apático, tratando as fobias, neuroses, psicoses e depressões como simples estados ansiosos devido a um ambiente difícil (Roudinesco, 2000).
A respeito dessa disseminação, Pierre Fédida nos alerta para os perigos desse discurso na sociedade, em que se cria e deposita as expectativas de uma solução para os sofrimentos psíquicos nos psicofármacos (Pereira, 2005). Roudinesco (2000) também critica essa transformação: “Não surpreende, portanto, que a infelicidade que fingimos exorcizar retorne de maneira fulminante no campo das relações sociais e afetivas” (p. 17).
Atualmente, esse uso visa ocultar a dor própria da condição do sujeito. O medicamento passa a ser inserido como um modulador de características físicas e psíquicas, denominando como patologia cada característica singular da personalidade. E para cada nova patologia, surge um psicofármaco (Kimura, 2005). Com relação a esse uso, Rodrigues (2003 citado por Kimura, 2005) acrescenta que o “medicamento vem sendo utilizado como um instrumento, no sistema capitalista, de modelização e normatização para constituir um sujeito sem conflitos, que dá conta de todos os paradoxos da existência humana” (p.11).


Referências

Kimura, A. M. (2005). Psicofármacos e Psicoterapia: a visão de psicólogos sobre medicação no tratamento. Trabalho de Conclusão de Curso (Formação em Psicologia). Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, Universidade São Judas Tadeu, São Paulo. Recuperado em 11 de setembro de 2013, de http://newpsi.bvs-psi.org.br/tcc/220.pdf

Pereira, M. E. C. (2005).  Psicanálise e psicofarmacologia: novas questões de um debate atual. C. da APPOA, Porto Alegre, n. 137, jul. 2005.  Recuperado em 09 de novembro de 2013, de http://www.appoa.com.br/correio_appoa/psicanalise_e_farmacologia/486#.Un9tBvk_upc.

Roudinesco, E. (2000). Por que psicanálise? (V. Ribeiro, trad.). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.


Raquel de Queiroz é psicóloga e mestre em Psicopatologia Fundamental e Psicanálise pela Universidade Católica de Pernambuco. Atende em Boa Viagem. Fone: (081) 9.9699-2188


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